CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 17 de
outubro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a carta
apostólica publicada hoje em forma de Motu próprio, intitulada “Porta
fidei”, do Papa Bento XVI, com a qual convoca o Ano da
Fé.
***
CARTA
APOSTÓLICA - SOB FORMA DE MOTU
PROPRIO
PORTA
FIDEI
DO SUMO
PONTÍFICE
BENTO
XVI
COM A QUAL SE
PROCLAMA O ANO DA FÉ
1. A PORTA DA FÉ (cf. Act 14,
27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua
Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a
Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que
transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a
vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo
qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a
passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor
Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria
glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade
– Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf.
1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a
nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e
ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto
aguarda o regresso glorioso do Senhor.
2. Desde o princípio do meu ministério
como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé
para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado
entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do
pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo
devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da
vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em
plenitude»[1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação
com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria
fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal
pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até
negado.[2]Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural
unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos
valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores
da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas
pessoas.